Quando a gente adota ou compra um filhote a última coisa que passa na nossa cabeça é que ele vai ficar velho. Mas um dia a idade chega também para os nossos pets. E a partir de quando o animal é considerado idoso, e o que a gente pode fazer para dar mais qualidade de vida para os nossos pets?

De acordo com a médica veterinária Simone Rimulo um cão de grande porte já é considerado idoso a partir dos 5 anos, e os cães menores entram na idade geriátrica aos 7 anos. Já os gatos ficam idosos aos 11 anos, independentemente da raça.

“Os sinais de que o animal está ficando velhinho são muito sutis, mas o tutor que conhece bastante o seu animal consegue perceber com mais facilidade. Os hábitos começam a mudar. Ele começa a fazer xixi fora do lugar e passa a ter uma atividade reduzida de comportamento. Ele já não vai querer mais brincar de subir e descer dos móveis, por exemplo”, conta a veterinária.

Síndrome Cognitiva da Idade

Com a idade avançada alguns problemas de saúde também podem começar a aparecer no seu animal. É na velhice que eles começam a ter problemas articulares e até doenças que limitem a atividade física do pet. A catarata é muito comum nos animais idosos, e eles também começam a ter problemas no coração, ficam hipertensos e ainda podem desenvolver a síndrome cognitiva da idade.

“A gente tem relatos hoje, até dos Estados Unidos, de que metade da população de cães e gatos já está na fase geriátrica. É uma fase muito significativa para nós veterinários. E temos muitos pacientes geriátricos que apresentam os sinais da síndrome da idade. Ele começa a fazer xixi e cocô fora do lugar, troca a noite pelo dia, vocalização também”, detalha Simone. Segundo ela, 60% dos cães acima de 11 anos já apresentam esses sinais, e acima dos 15 anos a prevalência é de 80%.

“Se formos comparar com os humanos é como se eles tivessem com a doença de Alzheimer. A gente sabe dessa semelhança porque lesões pós-morte foram observadas em cérebros de cães e gatos, similares aos cérebros de humanos com a doença de Alzheimer. Essas lesões atingem regiões que são responsáveis pelo comportamento do animal”, explica a veterinária.

Adaptações em casa

Da mesma forma que a gente prepara a nossa casa para receber um filhote, o lugar que a gente vive também precisa ser adaptado para um animal idoso. Também é importante ter alguns cuidados como evitar mudar a localização dos móveis quando existe um animal cego em casa.

“Eles guardam na memória onde estão os obstáculos, e mudá-los de lugar pode provocar acidentes”, alerta a especialista. Além disso, o animal idoso tem muita dificuldade de levantar e andar, por isso é importante colocar tapetes antiderrapantes no local onde ele circula, e evitar os pisos muito lisos.

Qualidade de vida

Com a evolução da medicina veterinária é possível oferecer mais condições para que o animal tenha uma velhice com qualidade de vida. Hoje, por exemplo, já existe a fisioterapia animal que ajuda no fortalecimento da musculatura.

“Eles são como a gente. Com a idade os animais também perdem massa muscular. A gente tem suplementos também específicos para animais geriátricos que vão ajudar a dar uma boa qualidade de vida pra eles. As próprias rações especificas para animais idosos ajudam também”, esclarece Simone.

Prevenção

O ditado é batido mas se encaixa perfeitamente nessa situação também. Prevenir é sempre melhor que remediar, por isso, a orientação é que o animal idoso que não tenha apresentado doenças da idade seja levado pelo menos duas vezes ao ano para uma consulta com o veterinário da família.

“São doenças que podem aparecer muito rápido. A gente não pode deixar de levar em consideração que tumores também podem aparecer no animal idoso, e tudo que a gente pega no início é mais fácil da gente cuidar e dar mais qualidade de vida para esse animal”, alerta Simone Rimulo.

E assim como nós humanos, para prevenir doenças é importante que o animal mantenha hábitos saudáveis como fazer caminhadas diárias e se alimentar com uma ração de qualidade.