A castração ainda é um assunto que divide opiniões entre os tutores. Mas basta perguntar aos médicos veterinários e todos eles vão indicar o procedimento cirúrgico. Os benefícios são inúmeros: previne doenças, reduz a agressividade e agitação, acaba com cios e gestações indesejadas e ainda prolonga a vida do animal.

“No caso das fêmeas, existe um dado interessante e preocupante. Os tumores de mama são os mais frequentes em cadelas no Brasil e em outros países subdesenvolvidos. É um problema que países desenvolvidos não têm por causa da castração precoce”, explica o cirurgião veterinário Mário Jorge.

Nos machos, segundo o médico, a castração previne tumores de testículo. “Cão macho não tem tanto câncer de próstata, mas tem a hiperplasia prostática, que é o aumento da próstata. Os animais passam a ter dificuldade de urinar e podem ter também alguns tipos de hérnia”, afirma.

O ideal é que a cirurgia de castração seja feita no animal ainda jovem. No caso das fêmeas, entre o primeiro e o terceiro cio, e nos machos assim que os testículos apareçam na bolsa escrotal.

“O estudo que existe em relação ao momento ideal para realizar a castração é antigo, de 1969. Por enquanto o que se sabe é que até o terceiro ciclo menstrual existe um poder protetor maior no caso das fêmeas. A partir daí não se tem certeza. Eu indico fazer antes do primeiro cio, mas alguns ortopedistas acham que é importante o animal ter um desenvolvimento pleno, e por isso o ideal seria esperar o primeiro ciclo menstrual”, esclarece Mário Jorge.

Comportamento

Além da prevenção de doenças, a castração também traz benefícios em relação ao comportamento do animal. Aquele cão macho que faz xixi pela casa toda, ou está muito agressivo, pode ficar bem mais tranquilo após a cirurgia.

“Quando a gente retira os testículos dos machos, a gente priva os hormônios, mas é importante ressaltar que ainda existem aqueles hormônios que estão circulando no organismo. Ele não vai mudar de comportamento da noite para o dia”, explica o cirurgião veterinário Mário Jorge.

Segundo ele, em 3 meses essa quantidade de hormônios diminui, mas ainda assim alguns não mudam. “A testosterona não é produzida apenas nos testículos, e por isso as vezes o animal não muda. Um especialista em comportamento pode ajudar nessa transição”, complementa.

A cirurgia

Antes de fazer a cirurgia de castração é importante que o animal realize uma série de exames para garantir que ele esteja bem de saúde. Entre os principais estão o hemograma, exames bioquímicos e o eletrocardiograma.

“A cirurgia não é recomendada quando o resultado desses testes não esteja compatível com o que se espera de um animal saudável. É comum encontrarmos animais com alguma anemia, ou com disfunção renal. Nesses casos ele deve ser tratado e depois operado”, explica Dr Mário Jorge.

É muito importante que esteja presente no momento da cirurgia o profissional anestesista. Ele que vai definir qual a melhor anestesia a ser usada e dará mais segurança ao processo cirúrgico, monitorando a saúde do animal a todo momento.

Os pontos da operação devem ser retirados em até 15 dias depois do procedimento e nesse período alguns cuidados devem ser tomados para protegê-los, como o uso do colar elisabetano ou roupas protetoras.

Controle populacional

Além de todos os benefícios já citados aqui, a castração também tem uma função extremamente importante no controle populacional dos animais errantes, que são os cães e gatos livres e sem dono. Só em Salvador são mais de 100 mil animais vivendo nas ruas.

“Antigamente existia em Salvador a carrocinha, que era um método cruel de eliminação desses animais e que obviamente todo mundo é contra. Por outro lado a gente tem que fazer o controle, e a melhor forma é impedindo que eles procriem”, afirma Dr Mário Jorge.

Em Salvador existe o Castramóvel, que realiza gratuitamente o procedimento cirúrgico. Todo mês a unidade móvel fica estacionada em um bairro da capital para a realização de triagem e cirurgia.

“É importante que a gente fale dos benefícios da castração e desmistifique o que é dito por aí de negativo. Nosso maior problema em ralação a castração é ainda a cultura machista, que quer comparar o bicho com o ser humano”, finaliza o veterinário.

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