Unidade policial ampliou o número de operações em cerca de 160% para prevenir e reprimir crimes contra a fauna e flora

O canto doce e contínuo do Sporophila ardesiaca, conhecido popularmente como papa-capim, fez dele o animal mais apreendido este ano pela Companhia de Polícia de Proteção Ambiental (Coppa).

Além do papa-capim, outras espécies que compõem a fauna baiana foram recuperadas em 2017 por esta unidade policial.

Nos dez primeiros meses do ano, em comparação ao mesmo período de 2016, houve um aumento de 2,8% no número dos animais salvos pela Coppa.

Em 2016, foram 2.633 (2.123 apreensões e 510 resgates), enquanto que em 2017 os números subiram para 2.707 (2192 apreensões e 515 resgates), 74 casos a mais.

Entre os animais estão, além dos pássaros, iguanas e cobras. A maioria dos casos ocorreu em Salvador.

Em agosto, na localidade conhecida como ‘Pela Porco’, próxima a antiga estação rodoviária, 48 pássaros foram apreendidos engaiolados e prontos para serem comercializados.

A Coppa também ampliou em cerca de 160% às operações para combater crimes contra a fauna e flora.

De janeiro a outubro deste ano, 15 pessoas foram presas, uma apreendida e nove termos circunstanciados lavrados.

Criação ilegal

A comandante da companhia, major PM Maria Aparecida Melo, afirma que existe uma cultura de criação de animais silvestres em cativeiro, principalmente em cidades do interior.

“Há animais, como o papagaio, mantidos dentro da casa como alguém da família”, explicou, observando que “o cidadão deve entender que criar um animal silvestre cativo é crime”.

Segundo a major os animais considerados exóticos e que não fazem parte da fauna brasileira podem ser criados em casa, citando, dentre outros, os pássaros calopsitas e canário-belga.

Resgatados, os animais são levados para o centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama), onde recebem atendimento veterinário.

Após avaliação e tratamento, são devolvidos à natureza ou encaminhados para zoológico ou criadouro, em casos que não se adaptam mais a viver em liberdade.

Imagem Papa-Capim: Alberto Maraux

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