Hidratar o animal, tosar o seu pelo e escolher os melhores horários para os passeios são algumas formas de manter a saúde do seu cãozinho

Em cidades como Salvador faz calor o ano inteiro, mas no verão a situação só piora. E se tá quente pra gente, imagine para os nossos pets.

De acordo com a médica veterinária Flávia Uzeda, os animais sentem mais calor do que a gente porque eles não transpiram.

“A única forma deles trocarem calor é pelos coxins, que são as almofadinhas das patas e também quando estão arfando, com a língua pra fora”, explica.

A temperatura normal pra um cão já é bem elevada, de 37,5ºC a 39,5ºC, e quando eles são expostos a lugares muito quentes essa temperatura pode aumentar.

Hipertermia

A hipertermia é um dos problemas causados pelo excesso de calor nos pets e pode acontecer, por exemplo, durante os passeios em horários indevidos.

“Os cães que passeiam entre 10h da manhã e 15h sofrem muito mais. A depender da cidade em que ele viva já é bastante quente antes das 10h. O animal pode desmaiar por causa do calor e a temperatura dele chega aos 40ºC muito rápido”, alerta Flávia.

Os cães mais peludos e braquicefálicos precisam de mais cuidado.

“Os cães que têm o focinho curto têm mais dificuldade nessa troca de calor e voltar pra temperatura normal é custoso. Pode ter desnutrição de proteína, agravamento renal, mas a desidratação em si não é tão rápida”, conta.

Sinais de calor

Se o seu cachorro começar a arfar muito e ter dificuldade para andar, atenção! Você vai precisar resfriar o corpo do animal.

“Procure molhar as patinhas e o pescoço com água fria. Se tiver em um local com ar condicionado deixe ele um tempo lá. Se mesmo assim ele não melhorar é melhor correr para uma clínica veterinária”, alerta Flávia.

Nunca, em hipótese alguma, deixe o seu animal dentro do carro abafado enquanto precisa resolver alguma coisa na rua. O que muitas vezes é considerado “rapidinho” para o dono do pet, pode ser fatal para o bicho.

Cuidados com as patas

Antes de passear com o seu cãozinho no asfalto, experimente colocar o seu pé descalço no chão. Se está quente pra você também estará para ele!

“A gente sempre vê casos de queimaduras nos coxins e é terrível. O animal sofre, não consegue andar e ele vai precisar ficar enfaixado até melhorar”, conta a veterinária.

Prefira passeios em área de grama. A areia também retém calor e queima.

Existem sapatinhos e meias emborrachadas que protegem as patinhas do chão quente, mas segundo Flávia não dá para ser usados por muito tempo.

“Esse tipo de acessório impede a troca natural do calor, já que os coxins ficam abafados”.

Estética

Existem muitos cães de pelos longos e seus tutores querem manter a característica da raça. O problema é que existem muitos animais que não se adaptam bem ao nosso clima, o que acaba sendo uma tortura muito grande para eles.

“Nesse período é bom fazer um corte mais fresco. Além de aliviar o calor ainda ajuda a evitar pulgas e carrapatos que se espalham mais nesse período do ano. Pelo grande e calor é tudo que precisam para acontecer uma infestação”, afirma a veterinária.

Chow chow

No caso dos cães da raça Chow chow a tosa pode ser feita, mas com cuidado para não raspar completamente o pelo.

Segundo Flávia Uzeda, existem alguns cães que têm o pelo raspado e ele não volta a crescer. “Tanto o Chow chow quanto o Samoieda podem ter esse problema. Pode fazer uma tosa mais baixa, na tesoura”.

Bulldog Inglês

Os cachorros da raça Bulldog Inglês já têm problema de pele naturalmente, e por isso nessa época do ano é preciso intensificar a limpeza nas dobrinhas com lenço umedecido ou soro fisiológico.

Os horários e a intensidade dos passeios também precisam ser revistos. “Durante todo ano já existe uma preocupação. Qualquer estresse, ansiedade maior, eles têm mais dificuldade de respirar”, alerta a médica.

Gatos

Os gatos são mais safos que os cães e sempre vão procurar o lugar mais fresco da casa para ficar.

Além disso, de forma geral, eles não costumam passear com seus tutores. Mesmo assim, também é bom baixar um pouco o pelo do felino nesse período do ano.

Protetor solar

A incidência do sol também queima a pele dos cães, principalmente os brancos. Por isso, o protetor solar é indicado para as pontas das orelhas, a linha central das costas (onde o pelo se divide), cabeça e no focinho.

“Existe protetor solar para cachorro. É difícil encontrar aqui em Salvador, mas na internet acha fácil. Se não achar pode passar o nosso, mas dando preferência para os infantis, tendo cuidado apenas para a região dos olhos”, orienta a veterinária.

Banho de piscina

O banho de piscina é bom e muitos cães adoram, mas alguns cuidados também precisam ser tomados.

O cloro pode provocar a mudança na coloração do pelo, além de deixar a pele mais ressecada. Por isso é importante dar um banho de água normal depois da diversão na piscina.

É importante o tutor ficar atento também para os cães não beberem a água com cloro e evitar mergulhos. Os cães das raças Golden e Labrador, principalmente. O cuidado é para evitar otites causadas quando entra água no ouvido do animal.

Banho de mar

A água salgada também pode deixar a pele dos cães mais ressecada, mas é só dar um banho de água depois do refresco no mar.

“Saiu do mar, tira o sal. Se você deixar a pele vai ficar seca e o pelo embolado”, afirma Flávia.

Além disso, a areia também pode dar problemas de pele. Aqueles cães que gostam de cavar, todo cuidado é pouco.

Pode entrar areia no olho e fazer uma lesão. Por isso, sempre lave o rosto do seu cão depois da farra. “Tem cachorro também que gosta de comer areia. Nesses casos melhor se contentar com um banho de mangueira. Acho mais seguro”.

Hidratação

Assim como a gente precisa se hidratar muito no verão, os nossos pets também precisam. E uma boa dica é colocar cubos de gelo dentro da água ou mesmo soltos para eles brincarem.

Outra diga é congelar frutas e oferecer para o pet. Não esqueça de consultar o médico veterinário de sua confiança para saber qual a fruta ideal para o seu cãozinho.

LEIA TAMBÉM

Sociabilização de filhotes: por que apresentá-los ao mundo desde cedo?